Filosofia e Critérios de qualidade por atributo

A filosofia do Programa Fazenda Ambiental é a diversificação e melhor aproveitamento das fontes de receitas dos produtos e serviços oferecidos, através de um planejamento participativo,
da implantação de um sistema de produção, administração e gestão baseada no conceito de qualidade total dos processos.

Para uma propriedade rural estar apta para implantar o Programa Fazenda Ambiental, são necessárias algumas características básicas:

  1. Recursos naturais preservados, como nascentes, lagos, rios, matas, cachoeiras, mirantes e outros 
atrativos;
  2. Patrimônio histórico, como edificações, máquinas, 
registros, livros, fotos, lendas, técnicas agrícolas;
  3. Comunidade rural, residente dentro ou próximo da propriedade com identidade cultural própria, 
valorizada com resgate de suas raízes;
  4. Atividades agro-silvo-pastoril em funcionamento, sendo a principal base econômica, agregando 
qualidade e valor em seus processos;
  5. Atividades de turismo rural, respeitando os limites e capacidades estabelecidas em sua implantação e a manutenção da qualidade dos serviços 
prestados;
  6. Sustentabilidade, Agroecologia e Turismo Rural.

O conceito de sustentabilidade está plenamente difundido pelo mundo, porém nota-se a falta de engajamento de muitas corporações e indivíduos que não perceberam ainda a sua aplicabilidade.

A sustentabilidade está baseada no desenvolvimento humano, através da exploração racional de seus recursos disponíveis de ordem natural, histórico e social e a preocupação com o futuro e o das gerações seguintes.

“A crise urbana que explode nas últimas duas décadas se espelha na ocupação desordenada do espaço, na destruição ambiental, na pressão constante sobre os serviços de saneamento, saúde e educação e, sobretudo, na violência endêmica e incontrolável. Esta crise tem suas raízes no modelo de desenvolvimento agrícola e no abandono total das populações rurais pelos serviços básicos que o Estado deve garantir. É evidente que a solução dessa crise urbana passa pela resolução da crise do mundo rural, que permita a desconcentração da população através da desconcentração dos investimentos, dos recursos produtivos e da riqueza” (Weid; 2).

O turismo rural torna-se uma alternativa de muito valor para o meio rural, se implantado e conduzido de maneira correta, possibilitando uma interação entre os diversos setores da sociedade civil e pública para o desenvolvimento sustentável desta atividade, baseadas em diretrizes e modelos que proporcionam a preservação patrimonial rural e o bem estar das comunidades envolvidas, fornecendo emprego, saúde e educação. Os programas deverão ser, ao mesmo tempo, multidisciplinares na sua concepção e plurisetoriais na sua execução.
Dentre os princípios estabelecidos pela Organização Mundial de Turismo, tem destaque as ações de planejamento e controle das operações, baseadas em pesquisas e informações, bases para estratégias de conservação, que envolvam a comunidade local e diversas empresas, ONG’s, órgãos públicos e pessoas, permitindo o maior número possível de benefícios para a localidade.(OMT, 1993; 51)

As bases econômicas do modelo Fazenda Ambiental estão principalmente relacionadas às atividades agro-silvo-pastoris e ao turismo rural, garantindo assim, a sustentabilidade econômica e social, pois essas atividades, quando conduzidas com diretrizes voltadas para a qualidade, asseguram as receitas dos produtos e serviços e estabilizam a comunidade rural com emprego e qualidade de vida.

A agroecologia tem como objetivo compatibilizar ao máximo os sistemas produtivos com a dinâmica do meio ambiente. O uso de produtos químicos é reduzido ao mínimo ou eliminado, substituído pela utilização de nutrientes orgânicos reciclados no próprio local, equilíbrio ambiental para reduzir a incidência de pestes e doenças, promovendo um controle biológico e a seleção de variedades para maior adaptação às condições ambientais.

Não há dúvida de que o conceito de sustentabilidade é benéfico, seja pelo aspecto preservacionista dos recursos naturais ou pela longevidade de um sistema de produção. Ele fornece subsídios sobre o impacto futuro das decisões tomadas , além de possibilitar o redirecionamento das necessidades de pesquisas agrícolas e de auxiliar as intervenções políticas e estruturais, a partir da identificação dos pontos de restrição à atividade. Portanto, para ser útil na caracterização de sustentabilidade, tem de estar definido o sistema que deve ser sustentável” (Hammes,1998; 20).